Editorial semanal do médium José Medrado
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O lógico é o diferente

Fraternidade, no sentido filosófico, significa uma consciente escolha de viver em sociedade em uma relação de igualdade. É, sem dúvida alguma, um forte instrumento para elaboração de uma cidadania legítima entre os seres humanos. Estamos acostumados a ver a fraternidade associada à igualdade e à liberdade, de forma muito real, pois realmente elas fazem uma espécie de tripé onde deve se assentar o ideal comum de reconhecimento da nossa essência espiritual, onde o que conta deve ser o sentido do crescimento moral, de especificidade de cada programação de vida, de reconhecimento da individualidade humana, onde o lógico deve ser a certeza de que somos cores diferentes de uma grande divina paleta, que vamos nos misturando e gerando novas e esfuziantes cores.

É sentido dessa forma que, na Cidade da Luz, sempre comemoramos e agradecemos o nosso aniversário, com um grande encontro entre religiões. Assim, lá estavam, no último dia 23, as yalorixás Mãe Carmen, do Gantois e Mãe Jaciara, do Obassá de Ogum; padre Alfredo Dórea; pastor Djalma Torres; o presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia, André Peixinho; a cantora Mariene de Castro, além de companheiros de outras instituições, autoridades públicas, voluntários e colaboradores daquele celeiro de caridade e bênçãos. O público era estimado em mais de três mil pessoas, muita gente de pé, todos, sem dúvida alguma, querendo ouvir a todos; a reverenciar todas as religiões que ali estavam; a vibrar com o clima de fraternidade e vivência de um amor sem paredes, mas com pontes.

Ora, a noite foi de gáudios e maciça presença de espíritos excelsos: orixás, caboclos, padres, freiras, monges budistas, todos se dando as mãos sem fronteiras, nem restrições, mas entendendo que cada verdade é relativa e adorna a necessidade de cada coração, sem disputa de mais aplausos ou de complexa engenharia linguística ou cientificista que complica o entendimento de valores simples, como, por exemplo, que “Deus é amor”.

Parafraseando Nelson Mandela, quando afirmava que ninguém nascia racista, mas aprendia a sê-lo, digo que, também, ninguém nasce discriminando, mas aprende a fazê-lo, através de exemplos de líderes arrogantes e presunçosos, que criam o absurdo da fantasia de que esta ou aquela religião é melhor. Por isso, o sábio Dalai Lama afirmou que a “melhor religião é a que o faz melhor”.

Reconforta-nos esta caminhada, sintetizada ao final do pronunciamento de André Peixinho: "Quando eu vi o "Cavaleiros da Luz", a primeira vez, na sede que ele possuía, eu vi ali uma luz nascendo. Hoje, vejo que, agora, é um holofote, em outra região, em outra instância, mostrando que, quando há a semente do Evangelho em profundidade, bem cultivada, ela vai crescer, vai amadurecer... da forma que lhe é possível, na aparência que se possa tomar, naturalmente, pelas circunstâncias da vida - e ai é que o coração se rejubila, e vemos os que persistem, os que lutam, os que perseveram para que a grande ideia da amorosidade permeie a nossa vida."

José Medrado é o fundador da Cidade da Luz

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