O lógico é o diferente
Fraternidade,
no sentido filosófico, significa uma consciente escolha de
viver em sociedade em uma relação de igualdade. É,
sem dúvida alguma, um forte instrumento para elaboração
de uma cidadania legítima entre os seres humanos. Estamos acostumados
a ver a fraternidade associada à igualdade e à liberdade,
de forma muito real, pois realmente elas fazem uma espécie
de tripé onde deve se assentar o ideal comum de reconhecimento
da nossa essência espiritual, onde o que conta deve ser o sentido
do crescimento moral, de especificidade de cada programação
de vida, de reconhecimento da individualidade humana, onde o lógico
deve ser a certeza de que somos cores diferentes de uma grande divina
paleta, que vamos nos misturando e gerando novas e esfuziantes cores.
É
sentido dessa forma que, na Cidade da Luz, sempre comemoramos e agradecemos
o nosso aniversário, com um grande encontro entre religiões.
Assim, lá estavam, no último dia 23, as yalorixás
Mãe Carmen, do Gantois e Mãe Jaciara, do Obassá
de Ogum; padre Alfredo Dórea; pastor Djalma Torres; o presidente
da Federação Espírita do Estado da Bahia, André
Peixinho; a cantora Mariene de Castro, além de companheiros
de outras instituições, autoridades públicas,
voluntários e colaboradores daquele celeiro de caridade e bênçãos.
O público era estimado em mais de três mil pessoas, muita
gente de pé, todos, sem dúvida alguma, querendo ouvir
a todos; a reverenciar todas as religiões que ali estavam;
a vibrar com o clima de fraternidade e vivência de um amor sem
paredes, mas com pontes.
Ora, a noite foi de gáudios e maciça presença
de espíritos excelsos: orixás, caboclos, padres, freiras,
monges budistas, todos se dando as mãos sem fronteiras, nem
restrições, mas entendendo que cada verdade é
relativa e adorna a necessidade de cada coração, sem
disputa de mais aplausos ou de complexa engenharia linguística
ou cientificista que complica o entendimento de valores simples, como,
por exemplo, que “Deus é amor”.
Parafraseando Nelson Mandela, quando afirmava que ninguém nascia
racista, mas aprendia a sê-lo, digo que, também, ninguém
nasce discriminando, mas aprende a fazê-lo, através de
exemplos de líderes arrogantes e presunçosos, que criam
o absurdo da fantasia de que esta ou aquela religião é
melhor. Por isso, o sábio Dalai Lama afirmou que a “melhor
religião é a que o faz melhor”.
Reconforta-nos esta caminhada, sintetizada ao final do pronunciamento
de André Peixinho: "Quando eu vi o "Cavaleiros da
Luz", a primeira vez, na sede que ele possuía, eu vi ali
uma luz nascendo. Hoje, vejo que, agora, é um holofote, em
outra região, em outra instância, mostrando que, quando
há a semente do Evangelho em profundidade, bem cultivada, ela
vai crescer, vai amadurecer... da forma que lhe é possível,
na aparência que se possa tomar, naturalmente, pelas circunstâncias
da vida - e ai é que o coração se rejubila, e
vemos os que persistem, os que lutam, os que perseveram para que a
grande ideia da amorosidade permeie a nossa vida."
José Medrado é o fundador da Cidade da Luz