"Toda vez que determinada pessoa convide outra à comunhão
sexual ou aceita de alguém um apelo neste sentido, em bases
de afinidade e confiança, estabelece-se entre ambas um circuito
de forças, pelo qual a dupla se alimenta psiquicamente de energias
espirituais, em regime de reciprocidade".
Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier
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"O êxtase do santo foi, um dia, mero impulso, como o diamante
lapidado - gota celeste eleita para refletir a claridade divina -
viveu na aluvião, ignorado entre seixos brutos. Claro está
que, assim como se submete o diamante ao disco do lapidário,
para atingir o pedestal da beleza, assim também o instinto
sexual, para coroar-se com as glórias do êxtase, há
que dobrar-se aos imperativos da responsabilidade, às exigências
da disciplina, aos ditames da renúncia."
André Luiz/ Francisco Cândido Xavier, em "No
Mundo Maior"
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Desde as mais antigas civilizações, o sexo foi considerado
uma sagrada faculdade do homem e da mulher. Nele, sempre foi reverenciado
o poder criador da vida e da natureza. Todas as culturas dão
testemunho disso em seus ritos, mitologias, artes e tradições
religiosas.
Se
atentarmos para o significado de algumas palavras que expressam conotações
referentes ao "sagrado" e ao espiritual, encontraremos nítidas
relações com a sexualidade transcendente ou espiritual.:
A palavra sacrossanto, (do latim sacrosanctu) expressão que
significa "santo e sagrado", tem origem na palavra "sacro"
(sacru), osso da coluna vertebral imediatamente inferior às
vértebras lombares - onde localiza-se o aparelho reprodutor.
A própria
palavra criar, da raiz sânscrita kr significando "fazer",
através do latim creare, implica produção, crescimento,
dar vida. A estreita relação entre fecundidade sexual
e originalidade mental fica evidente pelo uso que fazemos da palavra
"criar", indicando tanto criação da vida como
atividade artística. O nascimento de idéias tem analogia
com o nascimento físico e empregamos a palavra "concebendo"
e "concepção" em dois sentidos.
O mesmo
se dá nas palavras gênesis (do latim genese e do grego
genesis), ou gênio, que têm sua origem em genésico,
ou genital - igualmente associados à criação
e à criatividade, com raízes no sexo.
Orgasmo:
vocábulo encontrado no português, através do latim,
a partir de duas raízes gregas estreitamente relacionadas:
orgio, um rito sagrado, sacrifício, cerimônia que fazia
parte dos antigos mistérios greco-romanos realizados nos festejos
de Dionisio ou Baco; o que derivou nossa expressão
"orgia", e orgasio, que significa "crescer", "inchar"
de ardente desejo, paixão, enlevo - superdimensionamento da
sensação - culminando no êxtase interior.
Venerar:
associado ao sânscrito van, amar ou honrar, porém tomado
diretamente do latim vener, reverenciar, amar. "Venerável",
"venéreo" e "Vênus" (a deusa romana
do amor) também são palavras relacionadas, oriundas
do latim. Venerar significaria reconhecer os órgãos
sexuais como objetos
verdadeiramente merecedores de nossa adoração e respeito.
Tão
elevadas eram consideradas as funções sexuais e tão
estritamente ligadas ao conceito do divino, que podemos ler na bíblia,
em Gênesis, 24-2-9: "Põe atua mão por baixo
da minha coxa (sobre o membro viril), para que eu te faça jurar
pelo Senhor, Deus do céu e da terra (...) Pôs, portanto,
o servo a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor,
e jurou-lhe fazer o que lhe tinha dito."
Todas
essas expressões eram usadas na linguagem mística dos
mistérios das antigas religiões e tinham profundo significado
espiritual para os seus adeptos e iniciados. Na verdade, a energia
criadora do sexo faculta no homem e na mulher os mais elevados sentimentos
e pensamentos, expande as percepções da alma ao amor
incondicional, às dimensões do espírito, das
ciências e das artes.
Obviamente,
toda essa linguagem simbólica se degenerou, perdeu-se, banalizou-se.
Com o tempo, esses elevados conceitos se perderam e o sexo passou
a ser motivo de "perdição" e "pecado".
As trevas da Idade Média reprimiram-no totalmente. E hoje,
sob o pretexto de liberação sexual tornou-se motivo
de desequilíbrio e quedas morais escabrosas.
Sexo e casamento
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Também
o espiritismo reconhece na sexualidade seu caráter divino e
espiritual. Compreende a importância de sua sagrada função
de perpetuação da espécie, bem como a necessária
complementação emocional que proporciona aos seres,
constituindo-se, assim, essencial atributo do espírito imortal.
Allan
Kardec, em sua obra, O Livro dos Espíritos, abordou a questão
da sexualidade enfatizando o casamento, conforme orientação
dos espíritos superiores, como a condição ideal
de equilíbrio e sustentação para a sexualidade
humana, considerando o seu aspecto físico-espiritual: "A
união
livre e fortuita dos sexos pertence ao estado da natureza. O casamento
é um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas,
porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos
os povos, embora nas mais diversas condições. A abolição
do casamento seria, portanto, o retorno à infância da
humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de alguns animais que
lhe dão o exemplo das uniões constantes".
Predominância
do corpo sobre a alma
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Uma
pergunta interessante de Kardec aos espíritos superiores, muito
oportuna aos nossos dias, encontra-se na questão 694, de O
Livro dos Espíritos. Pergunta o codificador: "Que pensar
dos usos que têm por fim deter a reprodução, com
vistas à satisfação da sensualidade". Ao
que eles respondem: "Isso prova a predominância do corpo
sobre a alma e o quanto o homem está imerso na matéria".
Poligamia ou monogamia?
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A inversão de valores de nossos dias confunde a muitas pessoas.
Mas o espiritismo vem falar da lei divina, que é imutável
e para a qual o homem deve aprender a conformar sua conduta, a fim
de evitar o sofrimento desnecessário.
Mas,
em se tratando de comportamento sexual, qual seria a atitude mais
conforme à lei natural: a poligamia ou a monogamia? Para os
espíritos "a poligamia é uma lei humana, cuja abolição
marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus,
deve fundar-se na afeição dos seres
que se unem. Na poligamia não há verdadeiramente afeição:
não há mais do que sensualidade".
O
codificador ainda enfatiza: "Se a poligamia estivesse de acordo
com a lei natural devia ser universal, o que, entretanto, seria materialmente
impossível em virtude da igualdade numérica dos sexos.
A poligamia deve ser considerada como um uso ou uma legislação
particular apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamento
social fará desaparecer pouco a pouco".
E o celibato voluntário?
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"Seria o celibato voluntário um estado de perfeição,
meritório aos olhos de Deus?" pergunta o codificador aos
espíritos. Respondem eles: "Não, e os que vivem
assim, por egoísmo, desagradam a Deus e enganam a todos".
No
entanto, é diferente quando o celibato é um ato de sacrifício
para algumas pessoas que desejam devotar-se mais inteiramente ao serviço
da humanidade. Afirmam os espíritos a este respeito: "Todo
sacrifício pessoal é meritório, quando feito
para o bem e sem egoísmo. Quanto maior o
sacrifício, maior o mérito."
Direcionamento consciente da energia físico-espiritual do sexo
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Nos difíceis dias de hoje, a espiritualidade vem para nortear
o sentimento e os valores morais do ser humano em prova na Terra,
restituindo-lhe o bom senso, esclarecendo-lhe o raciocínio.
Portanto,
ao compreender o homem a si mesmo como um ser espiritual, revestido
das mais gloriosas potencialidades, com vistas à imortalidade,
saberá entender e a sentir o valor, a responsabilidade perante
si e ao próximo e, sobretudo, a orientação de
luz ou de treva, para a qual direciona a energia físico-espiritual
do sexo.
Fonte:
http://mocidadeespirita.fotopages.com/?entry=332919
Citações:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
Tradução: J. Herculano Pires
Edição: EME Editora
:: CONSCIÊNCIA ESPÍRITA 2005 ::
Cent. Est. Esp. Paulo Apóstolo de Mirassol - SP - Brasil