A Crise da Idade Adulta
A CRISE DA IDADE ADULTA
A Crise da Idade Adulta começa sempre com uma questão às vezes assustadora e sempre libertadora: “Quem sou eu além de minha história e dos papéis que desempenhei?”Quando descobrimos que temos vivido um falso eu, que estivemos desempenhando até agora o papel de uma pessoa apenas provisoriamente amadurecida, movidos por expectativas infantis irrealistas, então abrimos a possibilidade para a verdadeira maturidade, para nossa verdadeira experiência do Eu-Mesmo.
A Crise da Idade Adulta, a Passagem Estreita, é uma ocasião para redefinir e reorientar a personalidade, um rito de passagem entre a adolescência que se estendeu por toda a primeira parte da idade adulta e nosso inevitável encontro com a velhice e a mortalidade.
Aqueles que fazem a jornada com consciência transformam suas vidas em algo mais significativo. Os que não fazem isso permanecem prisioneiros da infância, não importa quão bem sucedidos possam parecer em suas vidas públicas.
Nesse momento, nessa fase da vida, e se nos ouvirmos com atenção, veremos que uma parte importante nossa está disposta a encarar as seguintes questões:
Como adquiri o sentido original de mim mesmo?
Quais as mudanças que vêm prenunciando a Crise da Idade Adulta?
Como posso redefinir meu senso de eu-mesmo?
Quais as atitudes e mudanças de comportamento que facilitam e apóiam o processo de transformação pessoal?
Quais as mudanças concretas que posso fazer e que me ajudarão a transitar, através da Crise, de uma situação de miséria e sofrimento para uma outra cheia de significado?
A capacidade de crescimento de cada um depende de sua capacidade de voltar-se para dentro e assumir responsabilidade pessoal pela construção e transformação de sua vida. Se estivermos sempre olhando nossa vida como um problema causado por outros, como um problema a ser “resolvido”, nenhuma mudança ocorrerá. Se nos faltar coragem, nenhuma revisão pode ser feita.
A maior parte de nós trata a vida como se fosse um romance. Viramos as páginas passivamente, assumindo que, na última página, o autor nos dirá do que se tratava tudo isso. Como disse um grande escritor, se o herói não morre, então o autor não terminou a história. Pois, na última página, nós morremos, com ou sem iluminação.
O convite da Crise da Idade Adulta é para que nos tornemos conscientes, que aceitemos responsabilidade pelas páginas que restam e corramos o risco de mergulhar na grandeza da vida que está se oferecendo para nós.
Assim, vem ao encontro dessas reflexões a Doutrina Espírita que nos ensina que pela reencarnação obtemos uma nova oportunidade de encarar a vida, de construir um novo caminho, enfim, em agirmos em busca do autoconhecimento e da nossa reforma moral.
Para quem compreende o porquê de aqui está, de onde veio e para onde vai que deve pautar as suas ações na prática do bem a si mesmo e ao próximo e, sobretudo na busca pela sua reforma íntima, poderão com certeza evitar nesta existência que haja uma crise que porventura possa se instalar na vida do sujeito reencarnante.
Salvador, 03 de Agosto de 2010.
Euzebio Raimundo da Silva é pedagogo, pós-Graduado em Gestão de Pessoas e Coordenador do departamento Doutrinário do Centro Espírita Frei Fabiano de Cristo.









