O DISCURSO DO “MAS”
Euzébio Raimundo da Silva
“Há uma profunda discussão acerca da polarização existente na forma de ver o mundo, quando se utiliza dos termos “bem” ou “mal”; “certo ou errado”; “sim ou não”, justificado pelo fato que na vida nem tudo é regido na forma dicotômica.
Estudiosos como Edgar Morin defende a tese de que a aquisição do conhecimento e sua aplicabilidade na sociedade não caminham apenas por esta forma “reduzida” de ver o mundo, porém, deve alicerça-se em outros saberes e possibilidades que também podem ser expressos da forma: “talvez sim”, “talvez não”, “possivelmente”, etc. demonstrando que seria um equívoco ver o mundo apenas por essas duas lentes: ou uma coisa ou outra. Concordamos em parte.
No entanto com relação às coisas espirituais, não há esse viés de muitas possibilidades, sobretudo relativo às Leis Morais e ou Espirituais. A postura filosófica do ser está fundamentada no famoso sim, sim; não, não exarado pelo Mestre Jesus Cristo.
Para interpretá-las e vivenciá-las ou faz ou não faz; ou cumpre ou não cumpre; ou é ou não é. “Nesse momento o “mas” se apresenta como um possível “vilão” nesta narrativa, pois, a maioria dos sujeitos sempre busca uma saída que os conforte ou satisfaça. Buscam sempre o jeitinho que atenda as suas vontades e necessidades.
Faz-se necessário nesse momento apresentar o conceito de “mas” exarado no Dicionário de Aurélio: Conjunção coordenativa adversativa. Exprime oposição ou restrição, porém, todavia, entretanto, no entanto, contudo. Muito bem. Todos nós já nos pegamos dizendo coisa do tipo: “Eu perdoou fulano (a), MAS, ele (a) lá e eu cá”! “Eu gostaria de seguir os ensinamentos de Jesus, MAS, ainda não me sinto preparado (a)”! “Eu quero mudar de atitude e praticar o bem, MAS, penso que não irei conseguir”!
Verifica-se assim, que mesmo tendo o livre arbítrio para fazermos o que quisermos aqui no mundo físico, demonstramos certo desconhecimento de que na vida espiritual (que é a natural!), não existe o famoso “jeitinho” visando alterar rumos e ações que já estão definidas nas Leis Divinas. Diversas bibliografias confiáveis dentro da literatura espírita, inclusive no Evangelho Segundo o Espiritismo, ressaltam a fala do Cristo quando Ele nos diz: Seja o seu sim, sim; o seu não, não.
Percebemos que quando Jesus ia dar algum ensinamento, dizia: Em verdade, em verdade vos digo..., nunca: eu lhes digo isso, MAS... Daí porque defendemos a tese de que na pátria espiritual existe misericórdia, sim, amorosidade sim, e também verdade e certeza de que TEMOS que cumprir as Leis divinas, sem o famoso, MAS que pode abrir brecha para uma saída estratégica por parte daqueles que buscam “desculpas” para não cumprirem as Leis Espirituais.
Assim, o discurso do “mas” cai por terra quando se trata do ponto de vista espiritual, convidando-nos a sermos mais assertivos em nosso agir, nunca nos esquecendo de que na vida extrafísica existe essa dicotomia do certo ou errado, do sim ou não, ser ou não ser, cabendo a todos nós nos revestirmos de sabedoria e humildade e aceitarmos essa possibilidade de entendimento e cumprimento das leis superiores visando o nosso aprendizado e crescimento moral.
Penso que essas singelas palavras desprovidas de qualquer pretensão de se apresentarem em caráter definitivo ou verdade absoluta vem levantar o véu de uma discussão que entendo ser de suma importância para a prática espírita, pois, circula-se no Movimento Espírita que quando do nosso retorno a pátria espiritual, baseando-se na misericórdia e no amor, teremos alguém que vai nos defender e se possível nos absolver dos erros cometidos quando aqui estávamos. Ledo engano. Serão pedido contas de nossas atitudes que passarão pelo seguinte crivo: Sim ou não; Fez ou não fez; Estava certo ou errado. Com podemos observar a dicotomia da lei divina prevalecerá em detrimento de qualquer discussão filosófica conhecida aqui na terra.
Euzebio Raimundo da Silva é pedagogo, pós-Graduado em Gestão de Pessoas e Coordenador do departamento Doutrinário do Centro Espírita Frei Fabiano de Cristo.









