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Artistas sem compromisso

O sentimento bairrista nos leva, invariavelmente, a sempre estarmos em posição de defesa dos valores emocionais que julgamos excepcionais. Recentemente, no entanto, trocando ideias com um antropólogo amigo, ele me deu um xeque-mate que capitulei, dando-lhe absoluta razão: Medrado, perguntou-me, onde está a inserção social, em causa de ideais, dos atuais artistas baianos? Onde a função social do retorno do que recebem do povo? Quem abraçou uma causa, emprestando a sua imagem, o seu talento à diminuição das chagas sociais? Onde estão um Vandré, um Chico Buarque, um Caetano da década de 70? Não encontrei artista baiano algum.

Nesses momentos de capitalismo cultural, da “artisificação” onde o consumo desarvorado assume uma posição central na vida dos fazedores de arte, seja qual for ela, parece que falta sensibilidade ou conteúdo moral verdadeiro para preocupação com engajamentos sociais, em atitudes de defesa de causas, de contributo a ideais. A indiferença com mundo além do umbigo é absurda. E de onde vem basicamente o reconhecimento de sua arte?

 

Diriam muitos com propriedade, que não “se fazem mais artistas como antigamente”. Grande verdade. O que vemos é um sistema gerando egos espetaculosos que só atuam no bem comum, quando o retorno é de mídia, de linhas em revistas de celebridades com notícias de arremedos de ação social. E lá vamos ver, por exemplo, no Criança Esperança, diversos baianos cantando em “prol” das crianças abandonadas, em situação de risco. São muitos, em geral, os artistas da superficialidade, em benefício da visibilidade, pois saídos dali onde o compromisso com a causa, com o social de forma geral? Não conseguem nem ver a miséria dos cordeiros, que estão literalmente aos seus pés, vão ver o que se perde no horizonte das desigualdades? Surgem os tais representantes do UNICEF, onde, para quê?

Em verdade, o que se nota é a globalização da mediocridade, em avanço do nada para lugar algum. Esse desencantamento que sentimos diante dos que se lançam a nossos ídolos se transforma em “vou te comer, vou te comer”. Lamentável.

José Medrado
Mestrando em famíliana Ucsal
Fundador da Cidade da Luz

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