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No reino da fantasia ou da hipocrisia?

É impressionante como ainda companheiros do ideal espírita desconhecem a proposta da doutrina: de vivência de uma fé raciocinada, calcada no objetivo questionador por excelência, aliada a uma caridade despretensiosa.

Ainda continuam se multiplicando por todos os lados expressões cínicas corroídas de santidades sem conteúdo, discursos cheios de prosódias rebuscadas, mas que para o dia-a-dia só servem como alimento do ego de seus divulgadores.

Falo daqueles que do alto do Olimpio avaliam nós da planície como meros encarnados obsidiados, porque não fazemos parte do jogo do faz de conta: Faz de conta que coisa alguma o aborrece, faz cara de paisagem; faz de conta que só vive em paz, nada o atinge; faz de conta que não tem problemas; são os eleitos pelos “deuses-espíritos”; fazem de conta que sabem tudo, pois os espíritos contam. Pobres crentes, aprisionam-se a processos neuróticos de companheiros que só querem exaltação do próprio ego, criando uma rede de louvação, a fim de satisfazerem a sua sede de poder, de reverência por conta de suas dores morais, de seus esfrangalhados processos de carência emocio-afetiva.

A doutrina espírita não deve nos propor a utopia dos “alucinandos”, ainda que contidos em suas personas. Não. Ela nos quer cidadãos comuns, que não nos julguemos nem acima, nem abaixo do mal, mas nele. Trabalhando o que somos, com real proposta de crescimento, de melhoria.

Tenho visto que o compromisso é, em geral, do discurso. Sempre conclamando muita solidariedade, união, amor. Porém, quando é o momento de vivenciar no outro, no dia-a-dia, aí, diriam os antigos: são outros quinhentos.

Chega de uma religião cheia de artifícios e hipocrisia. Vivamos uma fé de congraçamento, de coesão, no respeito às diferenças, no acatamento da diversidade dos espíritos. Não é uma questão de tolerância, mas de respeito aos nossos conteúdos de vida, aos nossos históricos de existência. Falo de uma união onde se respeite, não se tema, para não ser proscrito. Falo de uma convivência que se olhe do mesmo patamar, nunca de subserviência porque se trata de “eminências”. Falo de um cristianismo de gente, não de uma religião de santos.

Chico Xavier só existiu um, não adiantam cópias, porquanto serão caricaturas.

Não tenhamos medo de vivenciar o que somos. Para que esta fantasia de seres iluminados, superiores? Estamos na Terra: provas e expiações. Não tem santinhos por aqui, não. Os que eram, já foram. Aqui e ali teremos amigos comprometidos com o seu crescimento, não mahatmas (condutores de almas).

Enquanto estivermos atrás de avatares que nos libertem das nossas correntes-circunstâncias, motivos de nossos reajustes, estaremos correndo céleres para armadilhas de pretensos salvadores, iludindo-nos com hipocrisias dos falsos Cristos, dos falsos Profetas.

“Seja o seu sim, sim, o seu não, não.”

José Medrado
Mestrando em famíliana Ucsal
Fundador da Cidade da Luz

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