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De quem foi a culpa?

Foi uma confusão nacional o “descaso” do IBGE em não ter lançado, no seu formulário de pesquisa, os seguidores do Espiritismo como espíritas e sim, kardecistas. A Federação Espírita Brasileira lança nota, pedindo aos espíritas que se dissessem kardecistas; artigos, comentários voaram pela net. Interessante toda essa movimentação! Sem sombra de dúvidas, houve, sim, um descuido por parte dos agentes públicos, uma desinformação. Claro que não foi uma investida maligna de servidor evangélico algum, chegaram a dizer esse absurdo, mas, sim, uma demonstração, realmente, de ignorância.
 
Porém, a pergunta que deveria ser feita, penso assim, seria: por que houve tamanha ignorância de algo que julgamos tão elementar? A resposta naturalmente está na falta de popularidade da própria doutrina espírita, de conhecimento do grande público acerca do que seja Espiritismo, e aí por isso somos totalmente responsáveis. Claro, de há muito se estipulou um eufemismo no Espiritismo de que não nos preocupamos com quantidade, e sim qualidade. Bobajada sem fim, pois qual é o espírita que se sentindo consolando em sua doutrina não a quer difundida o máximo possível, para que o desiderato do seu saber arrebente ilusões, crie libertação?
O que pulula de toda essa indignação é a certeza de que muitos dos espíritas só guardam a preocupação do que fazem os seus companheiros de ideal, de hostes, em uma espécie de patrulhamento doutrinário, institucional, pois a isso, sim, a dedicação é extremada, mas quanto ao aspecto de esclarecer, de vir a público com notas posicionando o Espiritismo com os seus conceitos na sociedade, por ninguém, em geral, é feito, nem mesmo pelas instituições que deveriam guardar em seu mister essa responsabilidade, como as Federações espíritas.
 
Vemos, a todo instante, o Espiritismo ser abordado com equívocos. Cartomantes se dizendo espíritas e divulgando os seus préstimos, novelas se dizendo espíritas e apresentando anjos com asinhas; e quando se viu nota pública de esclarecimento a respeito disso? Nunca.
 
A Federação Espírita Brasileira é riquíssima, pois detém os direitos autorais de cerca de 90% dos livros de Chico Xavier, mas só vive para suas políticas internas e de grupos. As Federações estaduais são pobres, é verdade, mas geralmente só se ocupam do quintal dos seus interesses personalísticos, e também se omitem. Os que, no entanto, procuram fazer alguma coisa estão sempre sendo criticados, porque ocupam espaços que eles teriam obrigação de ocupar, e se veem no imobilismo de suas atuações.
 
É engraçado ler, por exemplo, planos de ações de federações espíritas, inclusive a da Bahia, parece plataforma de candidato em campanha de governo. Tem-se a impressão de que a Suíça é aqui, dada a beleza teórica das proposições, mas no caminhar do dia-a-dia tudo se perde nos mesmos padrões retrógrados de sempre, tendo a última palavra os que tentam ser donos de um movimento que não pertence a pessoa alguma, e é ao mesmo tempo de todos.
 
Por que o IBGE não sabia que os seguidores do Espiritismo eram espíritas?

JOSÉ MEDRADO / MÉDIM / FUNDADOR DA CIDADE DA LUZ

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