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A política do acinte

Uma amiga setuagenária, recentemente, em conversa, me disse que houve um tempo em que um político, deputado, senador era personalidade que se impunha pelo respeito, havia um certo ar de destaque, quando era anunciado. Custei a acreditar, mas ela garantiu que viveu esta época. Em verdade, no entanto, o que se estabeleceu nos dias atuais é uma conotação quase que pejorativa, em função do destroçamento ético que a maioria dos exercentes de cargos eletivos se lançam.

É duro conceber, mas, em verdade, as nossas “autoridades” se revestem da ética e da moral que espelham a sociedade em que vivemos e nela se refletem. Muitos desses senhores se veem, de fato, os tais, inacessíveis, indisponíveis; servidores do povo, agem como nobres em uma monarquia.

A desfaçatez se estabeleceu de forma tão acintosa, que o  presidente da Comissão de Educação da Câmara Federal é o deputado Tiririca, que quase não assumiu o mandato pela possibilidade de ser analfabeto. É fato que o seu mandato é legítimo, mas, permita-me, não o sinto representativo, pois a sua campanha foi toda calçada no deboche, na falta de compromisso com a seriedade que deveria revestir um cargo de compromisso com o povo, mas foi este povo que o deu mais de um milhão de votos. O que queixar, então? Pois é, em sessão que presidiu, leu em público: “Ignácio Kornowski, coordenador da área técnica de desenvolvimento da cultura da Confederação Nacional dos Municípios”, balbuciou Tiririca, que aproveitou para fazer graça com o sobrenome do convidado. “Kornowski, Kornowski”, repetiu, entre risos, brincando com a pronúncia abrasileirada “cornóvisque”.

Também, o que se poderia esperar em um país onde o jogador Ronaldinho Gaúcho recebe a medalha Machado de Assis, máxima honraria da Academia Brasileira de Letras, e coroa o acontecimento, após dizer que não tinha um livro preferido, com a insinuação de que pediria aos imortais dicas de leitura. Certamente iriam recomendar o livro do acadêmico José Sarney.

“Brasil, mostra a tua cara. Quero ver quem paga pra gente ficar assim. Brasil, qual é o teu negócio?”.

José Medrado
Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz

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