Vida
após a morte será tema de dissertação
na PUC de São Paulo
Manoel Fernandes
Neto
O assunto não
tem nada a ver com religião, apesar de falar de vida após
a morte. Sonia Rinaldi há mais de 20 anos pesquisa o assunto
e prepara-se para um desafio hercúleo: levar para um ambiente
totalmente cético algo que comumente é tratado com crença.
Ela vai defender, a partir deste ano, uma tese de mestrado na PUC
– Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo, intitulada “Transcomunicação: Interconectividade
entre Múltiplas Realidades e a Convergência de Ciências
para a Comprovação Científica da Comunicabilidade
Interplanos”, com a qual pretende comprovar que após
a morte do corpo físico a consciência sobrevive.
Essa consciência,
segundo Sonia, classificada de vários nomes, mantém
sua individualidade, história, aquisições morais
e intelectuais, além de ter capacidade de comunicação
com o mundo da matéria. Atualmente, como uma das coordenadoras
do Instituto de Pesquisas Avançadas em Transcomunicação
Instrumental, Sonia passa seus dias conectando aparelhos de gravação
de áudio e vídeo, buscando contato com o que convencionamos
chamar de “o outro lado da vida”.
Para a pesquisadora,
o fato deste tipo de abordagem adentrar o mundo acadêmico é
uma conquista que só será percebida no futuro, mas que
trará benefícios para toda a Humanidade: “É
chegada a hora de sair da infância e encarar a realidade da
nossa evolução contínua.”, diz Sonia.
Acompanhe a entrevista
exclusiva concedida por Sonia Rinaldi ao editor da NovaE.
Após
20 anos de pesquisa, como a ciência clássica, baseada
em conceitos da matéria, vem encarando o seu trabalho?
A Ciência, de forma ampla, está longe de se interessar.
Uns tantos cientistas mundo a fora vêm trabalhando no sentido
de documentar a realidade da sobrevivência após a morte.
Porém, quer nos parecer que nenhum fenômeno é
mais concreto - e, portanto, suscetível de toda sorte de análises
e investigação, como requer a Ciência -do que
a Transcomunicação Instrumental – ou seja, a comunicação
com o Outro Lado da Vida através de gravações
em computador e vídeo. Este ano de 2009 traz uma nova rota
para nossa pesquisa, pois inicio Mestrado na PUC – Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, justamente para
levar a Transcomunicação ao meio acadêmico, coisa
que jamais ocorreu na História. Veremos, daqui a uns anos,
o que teremos conseguido.
Como
foi o processo de aprovação de sua tese de mestrado,
sobre este assunto tão avesso ao mundo acadêmico?
Chegaram a me chamar na PUC para eu mudar minha tese, mas não
aceitei. Tenho premência em conduzir a pesquisa conforme a proposta,
pois minha tese não será simples – propus uma
mega-tese multidisciplinar, pois já considerei o fato de que
eu, sozinha, seria inapta para comprovar qualquer coisa. Propus a
participação de engenheiros, físicos e matemáticos
– todos com doutorado, para que sejam eles que avaliem, dentro
dos parâmetros requeridos pela Ciência, que o fenômeno
é real. A minha parte é levantar a ocorrência
do fenômeno – a deles será endossar a autenticidade
e – dentro das possibilidades –, tentar explicá-lo.
Quem
serão os maiores beneficiados com a comprovação
científica da sobrevivência após a morte?
A meu ver, a própria Humanidade, que deixará de se enganar.
É como se fosse chegada a hora de sair da infância e
encarar a realidade da nossa evolução contínua.
Você
pode explicar aos nossos leitores, em sua maioria, leiga neste assunto,
o que seria a hipótese "sobrevivencialista" em contraposição
à hipótese "psi"?
Quem é a favor da sobrevivência após a morte vê
a coisa como sendo o ser humano composto de um corpo e uma alma, ou
espírito. Na morte do corpo físico, esse espírito
ou consciência, prosseguiria na jornada. Esse é o ponto
de vista dos espiritualistas. Já uns tantos parapsicólogos
acham que os fenômenos paranormais não são resultado
de uma intervenção espiritual, mas sim, produto da própria
mente de quem produz o fenômeno. No caso da Transcomunicação,
exaustivamente essa segunda hipótese fica descartada, por uma
série de fatores que não arrolaremos para não
nos estendermos. Mas sumarizamos dizendo que as Vozes que gravamos
falam de coisas que ninguém sabia, dão nomes de pessoas,
cidades de origem, etc., que o transcomunicador nunca ouviu falar.
Filhos falecidos mencionam peculiaridades que só a família
sabe, etc. Não há a menor possibilidade de ser produto
da mente de alguém. Necessariamente, os contatos mostram que
estamos em contato com seres que já partiram.
Como
são realizadas suas experiências de gravação?
Qual é sua rotina de pesquisadora?
Agora, com o Mestrado, tudo girará em função
disso, e as gravações serão feitas para que os
cientistas que participarão da tese possam ter mais e mais
elementos de estudo. Fora disso, vou continuar dando uma aula por
mês de como gravar para as pessoas interessadas.
Nos
workshops realizados por você, como as pessoas têm reagido
ao contato com entes que se foram? Na mesma linha desta questão,
a saudade e a necessidade de um contato não podem prejudicar
uma análise racional?
Em todos os cursos (workshops) que damos, todos obtêm resultados
de seus falecidos e aprendem a gravar. Não há como comprometer
a interpretação, porque, ou a resposta está lá
ou não está. Nossas gravações há
anos são bem claras... não deixam margem de dúvida
ou permita dúbia interpretação. Se a gravação/resposta
não for clara, será descartada.
Quando
se fala em vida após a morte, as pessoas fazem logo uma conexão
com religião, que, no sentido clássico, vai na contramão
da pesquisa científica. Como você lida com isto?
Religião que se esconde atrás de dogmas e não
respeita a lógica deve estar com os dias contados. A globalização
e o avanço tecnológico despertaram a racionalidade,
e a visão setorizada tende a mudar. Ou algo é "verdade"
ou não merece crédito. E tudo que é "verdade"
tem que ser passível de análise e investigação.
Há de chegar o tempo em que o ser humano dispensará
supostas leis divinas, sejam lá quais forem, que não
passem pelo crivo da lógica racional.
Considerando
a hipótese sobrevivencialista, quais as diferenças deste
contato em relação à psicografia, já que
as gravações captam pequenas frases, às vezes
com uma estrutura gramatical inversa, bem diferente dos livros mediúnicos,
que são verdadeiros tratados, romances, com estruturas complexas...
A diferença fica por conta de que tudo que não pode
ser matematicamente investigado, fica excluído do interesse
da Ciência. Até hoje, centenas de médiuns têm
dado importante contribuição no sentido filosófico
e social; porém, fica fora da possibilidade da comprovação
da realidade disso. Já no caso da Transcomunicação,
qualquer "alô!" vem com um peso incontestável
diante dos olhos de um cientista. Por isso, penso que a Transcomunicação
Instrumental é o veiculo mais poderoso para comprovar que se
vive depois da morte, além, claro, de levar consolo a milhares
de pessoas que sofrem com a perda de alguém querido.
Reportagem
disponível em:
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1242