Por Lauro F. Carvalho
O suicídio
é um mal individual-social que tanto choca e traumatiza, e
que aumenta sobremodo nas situações de crise. O que
pensar disso quando se considera que a crise econômico-financeira
e político-social em que, mais uma vez, nos debatemos, em nosso
País, apresenta-se, igualmente, em menor ou maior escala, pelo
mundo todo?
Tem aumentado
muito o número de suicídios nos últimos tempos.
Quais são
as causas do suicídio? Não é difícil listar:
- Ruínas
financeiras;
-
Vergonha e desonra;
-
Desilusões amorosas;
-
Doenças surgidas, do corpo e da mente;
-
Depressão, solidão;
-
Medo do futuro, de fatos sabidos ou imaginados...
Mas, se analisarmos
em maior profundidade essas principais razões do tresloucado
gesto, veremos, também sem dificuldade, que não são
fatos e ocorrências, em si, que devem ser responsabilizados
pela consumação do autocídio, sim a repercussão
deles na pessoa. O que leva ao desespero não é o fato
desditoso, mas a maneira como a pessoa o elabora. Prova disso é
que inúmeras pessoas estão, por toda parte, suportando
fardos bem mais pesados que os que levam tantos ao suicídio
e nem se crêem tão infelizes assim. Na verdade, correspondendo
aos itens acima, que desencadeiam os atos extremos, dentre os quais
o crime e o suicídio, poderíamos listar outros que se
referem não aos acontecimentos externos, mas às reações
subjetivas perante eles:
Orgulho pessoal,
que se recusa a admitir o fracasso e a repentina ou gradual mudança
do padrão de vida;
Amor próprio
exacerbado, que faz acreditar que sua imagem não possa sofrer
nenhum arranhão ou ferimento, que o tempo e o esforço
não possam recompor;
Excessivo apego
à matéria e esquecimento dos "exercícios
da alma", expondo-se à sensação de derrocada,
do "tudo acabado", quando um mal físico ou perda
emocional cega a pessoa para os caminhos da reabilitação,
ainda quando trabalhosos e longos.
Em suma, a verdadeira
causa do suicídio não está nas ocorrências
infelizes, mas na maneira como a pessoa capitula diante delas, por
uma simples questão de livre arbítrio mal dirigido.
Dizem os Espíritos
Superiores, conforme se vê no capítulo V, 14 a 17 de
O Evangelho segundo o Espiritismo, que em última análise,
a maior causa do suicídio vem a ser a covardia moral. De fato,
a falta de coragem para enfrentar, altaneiramente, os revezes da vida
é o que se vê em praticamente todos os casos de suicídio.
Daí se conclui que o fator religioso, bem compreendido e exercido,
constitui poderosa profilaxia do suicídio.
É preciso
notar, ainda, que a ignorância quanto à vida futura é
uma das razões por que tanta gente se lança ao desconhecido
do além, não raro alimentando idéias distorcidas,
como até mesmo de abreviar a entrada num paraíso que
se julgue merecedora. O ser humano - individual e coletivamente -
assume pesada responsabilidade, perante o Senhor da Vida, pelo seu
marasmo em explorar e procurar conhecer, decididamente, a realidade
do além-túmulo, as leis que regem o destino das almas,
após a transição para esse outro plano vibratório.
É verdadeiramente
incompreensível como o homem do século XXI tenha chegado
a tão notável conhecimento de tudo quanto o cerca, no
mundo exterior, do micro e do macrocosmo, da delicada informática
às potentes tecnologias de domínio das grandes energias
de que se vale, não raro irresponsavelmente e, no entanto,
tenha se conservado tão ignorante quanto ao mundo exterior
de si mesmo.
Salvo as honrosas
exceções de alguns povos mais voltados para o espiritual,
esse analfabetismo das coisas da alma e a conseqüente falta de
instrução às massas, constitui, inegavelmente,
uma das causas de quantos se arrojam, imprudentemente, ao poço
escuro do suicídio.
A Doutrina Espírita
codificada por Allan Kardec, revela com segurança a natureza
espiritual do homem, demonstrando que a vida física não
é mais que breve estágio de espíritos mortais,
em trânsito pela matéria; explicando as condições
felizes ou desditosas de nossa sobrevivência, no além,
segundo os nossos atos, certamente é uma das forças
que coíbem o suicídio, haja vista o pequeníssimo
número de espíritas que se matam. Porque eles sabem
ser o auto-extermínio um dos mais graves erros que o espírito
encarnado comete, perante o grande Doador da Vida, nesta efêmera
existência, que mais não é que simples capítulo,
mais ou menos emocionante, da grande novela da evolução
que estamos vivendo!
Fonte: Mundo Espírita
junho /1997